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Jovens e Apostas Desportivas em Portugal: Prevenção e Riscos

Updated Julho 2026
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Há dados que pedem atenção imediata. O estudo ECATD de 2024 revelou que 18% dos jovens entre os 13 e os 18 anos em Portugal jogaram a dinheiro no último ano. Um em cada cinco adolescentes. Esta percentagem, apresentada pela presidente do ICAD Joana Teixeira em audição parlamentar, não é um dado abstrato – é um indicador de que o acesso ao jogo entre menores é um problema real e presente, não uma preocupação futura hipotética.

Conclusões do Estudo ECATD: Hábitos de Jogo Entre a População Jovem

O ECATD – Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e outras Dependências – é conduzido pelo ICAD em contexto escolar e representa a fonte de dados mais sistemática sobre comportamentos aditivos em jovens portugueses. Os resultados de 2024 merecem ser lidos com cuidado porque oferecem um retrato real de uma realidade que o mercado de apostas online amplificou.

18% dos jovens entre 13 e 18 anos a jogar a dinheiro no último ano é um número que Joana Teixeira contextualizou desta forma: os valores estão acima dos registados em 2012. O crescimento do mercado online, a facilidade de acesso através de smartphones, e a normalização cultural das apostas – alimentada em parte pela publicidade extensiva dos operadores até às restrições mais recentes – criaram um ambiente onde a exposição dos jovens ao jogo é maior do que em qualquer período anterior.

O que “jogar a dinheiro” significa para estes jovens varia: pode incluir apostas informais entre amigos, jogos de cartas, raspadinhas e lotaria – e não exclusivamente apostas online. Mas a disponibilidade de plataformas digitais que podem ser acedidas por qualquer pessoa com um telemóvel, independentemente da idade, é um fator que amplifica o risco de acesso precoce às formas de jogo mais intensas.

A psiquiatra Inês Homem de Melo, do ICAD, descreveu o problema estrutural de forma precisa: associar um comportamento potencialmente viciante ao desporto – algo culturalmente valorizado e positivo – cria uma camuflagem específica. Para um adolescente que acompanha futebol, apostar no jogo parece uma extensão natural do interesse pelo desporto, não um comportamento de risco.

Como as plataformas de apostas protegem (ou falham a proteger) os jovens

Os operadores licenciados pelo SRIJ têm obrigações claras de verificação de idade: nenhuma conta pode ser aberta sem verificação de que o utilizador tem 18 ou mais anos. O processo KYC (Know Your Customer) inclui a submissão de documento de identificação que prova a maioridade. Teoricamente, nenhum menor deveria conseguir criar uma conta num operador licenciado.

Na prática, o sistema tem vulnerabilidades. A verificação de identidade completa frequentemente só é exigida no momento do primeiro levantamento – não necessariamente no momento do registo e do primeiro depósito. Isto cria uma janela onde um menor que use os dados de identificação de um adulto (pais, irmãos mais velhos) pode criar conta, depositar e apostar antes de qualquer verificação de identidade real ser completada.

O perfil demográfico dos apostadores portugueses mostra que 79% têm menos de 45 anos e a faixa mais ativa é a dos 25-34 anos. Este perfil jovem reflete tanto a adesão natural de adultos jovens como o risco de que os mecanismos de verificação de idade sejam contornados por adolescentes que se identificam com este grupo etário culturalmente.

Os operadores têm também obrigações de publicidade responsável: não podem usar conteúdo que apele especificamente a menores, não podem usar plataformas predominantemente frequentadas por jovens para publicidade, e têm que incluir mensagens de jogo responsável com indicação da idade mínima. O cumprimento destas obrigações é monitorizado pelo SRIJ, mas a fiscalização da publicidade digital é tecnicamente complexa e a realidade está frequentemente aquém do ideal.

O que pais e educadores podem fazer

A prevenção começa com a conversa. A maioria dos adolescentes que joga a dinheiro não percebe genuinamente o que é a margem de um bookmaker, como funciona o valor esperado de uma aposta ou por que razão o jogo a longo prazo é matematicamente desvantajoso para o jogador. Explicar estes conceitos de forma concreta – não como sermão moral mas como literacia financeira e matemática – é mais eficaz do que a proibição pura e simples.

O controlo parental digital é uma ferramenta prática: a maioria dos sistemas operativos móveis permite configurar restrições de instalação de apps e de acesso a determinados sites. Combinado com a consciencialização do adolescente sobre os riscos, cria uma proteção mais robusta do que qualquer uma das duas medidas isoladas.

Para pais que identificam sinais de problemas com o jogo num filho adolescente, os recursos disponíveis em Portugal são o ICAD, o IAJ e a Linha 1414. O ICAD tem programas específicos para jovens e famílias, e o IAJ disponibiliza orientação não apenas para a pessoa com o problema mas também para os familiares que tentam lidar com a situação. A intervenção precoce é demonstravelmente mais eficaz do que esperar que os problemas se agravem.

Para uma visão mais ampla das ferramentas de proteção disponíveis no mercado regulado português, incluindo os mecanismos de autoexclusão e os recursos de apoio para situações de dependência, o nosso guia sobre jogo responsável nas apostas cobre todos estes aspetos em detalhe.

Uma perspetiva mais ampla sobre a prevenção: as apostas desportivas em Portugal são legais para maiores de 18 anos e fazem parte do entretenimento normal para muitos adultos. O objetivo da prevenção nos jovens não é criar uma geração que nunca vai apostar — e garantir que quando chegarem a maioridade, se escolherem apostar, o façam com literacia suficiente para tomar decisões informadas. A diferença entre um apostador adulto informado e um jovem sem qualquer contexto educativo é enorme — e essa diferenca constroi-se antes dos 18 anos.

O estudo ECATD e o trabalho do ICAD e do IAJ representam um investimento público em compreender e responder ao problema do jogo em jovens. Para pais e educadores que querem aprofundar o conhecimento sobre estes dados e sobre as estratégias de prevenção mais eficazes, os relatórios públicos destas instituições estão disponíveis nos respetivos websites e oferecem informação muito mais detalhada do que qualquer artigo pode cobrir.

Para pais e educadores que querem informação mais detalhada sobre os dados e estratégias de prevenção mais eficazes, os relatórios públicos do ICAD e do SRIJ estão disponíveis nos respetivos websites e oferecem informação muito mais detalhada do que qualquer artigo pode cobrir. A intervenção informada é sempre mais eficaz do que a reação depois do problema estar estabelecido.

Com que idade é legal apostar em Portugal?
A idade mínima legal para apostar em Portugal é 18 anos. Esta restrição aplica-se a todos os tipos de jogo e apostas online regulados pelo SRIJ. Os operadores licenciados são obrigados a verificar a idade dos utilizadores através do processo KYC, que inclui submissão de documento de identificação válido.
Como impedir que um menor aceda a sites de apostas?
As medidas mais eficazes combinam controlo parental técnico (restrições de apps e sites no dispositivo) com conversas abertas sobre os riscos do jogo. No plano técnico, os sistemas iOS e Android permitem configurar restrições de instalação e de navegação. No plano preventivo, a literacia sobre como funcionam as apostas e os riscos financeiros é mais duradoura do que qualquer bloqueio técnico que um adolescente determinado pode tentar contornar.